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Notícias - 16 de junho de 2011

Criança que teve perna reimplantada no Rio volta a andar

 Com uma estimativa inicial de apenas 30% de chances de recuperação após ter a perna direita decepada em um atropelamento, o menino Lucas Roberto Ferreira de Oliveira surpreendeu até mesmo a experiente equipe do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e do programa SOS Reimplante com sua evolução.

Lucas sofreu o acidente em dezembro do ano passado, em Xerém, na Baixada Fluminense. Em menos de duas horas, o menino já estava na sala de cirurgia do hospital e em menos de cinco horas o membro inferior já havia sido reimplantado.

O menino, que recebeu alta médica em 24 de janeiro – dia do aniversário de 11 anos -, retornou à unidade na última sexta-feira, 10 de junho, quando foi submetido a duas cirurgias, uma para retirada do fixador do fêmur e outra de liberação da musculatura da coxa. O coordenador do programa SOS Reimplante, João Recalde, responsável pelo caso, esclarece em que consistem os procedimentos.

“O fixador externo, cujo objetivo é consolidar o fêmur, foi colocado na cirurgia de emergência e não permitia que ele movimentasse o joelho. Em março, trocamos por um que proporcionasse maior liberdade de movimento e agora, com o fêmur já consolidado, retiramos de vez o fixador e realizamos uma cirurgia de liberação da musculatura da coxa, para que ele consiga dobrar o joelho”, explica.

As cirurgias representam a conquista de mais uma etapa na vida de Lucas, que teve alta médica nesta quarta-feira, 15 de junho. A partir de agora, o menino poderá voltar a andar, inicialmente com o apoio de uma muleta. Sessões de fisioterapia e de terapia ocupacional, cujo objetivo é estimular a independência na execução das atividades rotineiras, estão sendo fundamentais na recuperação. A próxima etapa, segundo Recalde, é corrigir a diferença de tamanho entre as duas pernas, causada pela lesão de nervo. Provisoriamente, o menino está utilizando um sapato plataforma, que iguala o tamanho dos dois membros, e a cirurgia deverá ser feita dentro dos próximos seis meses.

O médico destaca que a agilidade no atendimento e a infra-estrutura do hospital foram essenciais para o desfecho bem sucedido do caso. 

“A perna do Lucas não foi simplesmente decepada, o choque do atropelamento foi muito grande. Ele chegou ao Hospital Adão Pereira Nunes com a perna esmagada e com lesões gravíssimas nas estruturas. Pela experiência que tenho e com base nas estatísticas internacionais, a recuperação está sendo excepcional”, salienta.

Recalde explica que crianças levam vantagem sobre os adultos em casos como esse, já que a capacidade de regeneração e de adaptação a nível cerebral é muito mais rica. Contudo, o médico afirma que não existem milagres e que acidentes graves podem, sim, deixar algum tipo de sequela.

“O trabalho da equipe é tentar reduzir as chances de o indivíduo desenvolver sequelas, para que possa retornar à sociedade com o mínimo de limitações. O mais importante é fazer com que a pessoa se sinta normal, para evitar problemas psicológicos, como distúrbios de comportamento e afastamento social”, ressalta.

Uma das atividades preferidas de Lucas é jogar futebol com os amigos. Para alegria do menino, Recalde diz que ele poderá sim voltar a praticar atividades esportivas, mas de maneira lúdica, evitando movimentos bruscos. 

SOS Reimplante

O programa SOS Reimplante é pioneiro em todo o país e conta com duas equipes, cada uma com cinco médicos, que se revezam de plantão a cada semana. Os profissionais não ficam no hospital à espera dos pacientes, mas de prontidão para atender a casos de amputações.

O primeiro reimplante de membro em criança realizado no estado foi feito pela equipe. A menina Ana Catarina Santos, de 12 anos, teve o braço direito amputado aos 10 enquanto tentava tirar roupas de uma máquina de lavar industrial ainda em funcionamento, no abrigo para órfãos onde vive em Areal, na Região Centro-Sul fluminense. Um helicóptero da Secretaria de Estado de Saúde transportou a menina para o Adão Pereira Nunes e, em menos de quatro horas, Ana já estava na sala de cirurgia. 

Até hoje, já foram realizados 70 reimplantes, sendo 51 bem sucedidos. É importante ressaltar que para o reimplante ser possível, o membro amputado precisa ser conservado a 4ºC de temperatura e a durabilidade máxima é de seis horas, no caso de braços e pernas, e de 24 horas, para dedos dos pés e das mãos.

Somente o Hospital Universitário da USP e o Hospital Adão Pereira Nunes oferecem esse serviço no Brasil. A unidade foi selecionada por ser referência em atendimento de emergência e também pela localização estratégica – próxima a grandes rodovias -, dispondo de um heliponto no local. 

Case de sucesso – O tema “Implantação do Serviço SOS Reimplante” do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes foi selecionado para ser exposto como case de sucesso no Congresso Internacional do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e da Joint Commission International (JCI). A apresentação foi realizada nesta quarta-feira, 15, no Hotel Rio Othon Palace, em Copacabana.

Fonte: O Repórter

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