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Musical de João Falcão conta a história do Rei do Baião no Sesc Nova Iguaçu

Gonzagão a lenda Crédito Silvana Marques 5

Como em qualquer história de homem que vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus biógrafos não batem, em que realidade e fantasia se confundem. Desde que foi convidado, há dois anos, para criar um musical sobre o Rei do Baião, o autor e diretor João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem. O resultado é “Gonzagão – A lenda”, espetáculo que terá uma apresentação no dia 17 de maio de 2013, às 20h, e duas sessões no dia 18 de maio de 2013, às 18h e às 20h30, no Sesc Nova Iguaçu. Criada para homenagear o centenário do artista, a peça estreou em 2012, no Rio, e foi sucesso de público e crítica, tendo sua temporada carioca prorrogada até janeiro de 2013.

Gonzaga

“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é Wikipédia”, diz João Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido vários livros sobre um dos artistas mais importantes da música brasileira, morto em 2 de agosto de 1989 e cujo centenário de nascimento se completou no dia 13 de dezembro do ano passado.

 

A opção por uma abordagem teatral, não enciclopédica, fica explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a “lenda do Rei Luiz”. Os atores desta trupe anunciam que encenarão uma história iniciada “no sertão do Araripe lá pelos idos do século XX”. “Eles estão no futuro, mas tudo é meio arcaico. Não se localiza a época”, diz João.

Gonzaga.

A atemporalidade vem acompanhada de uma proposital imprecisão espacial. Mas é claro que as referências são maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas. Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17 anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São Lourenço da Mata, onde vivia numa usina de cana de açúcar, a Tiuma.

 

A trupe da peça é formada por oito homens (Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Marcelo Mimoso, Paulo de Melo, Renato Luciano, Ricca de Barros, todos se revezando nos vários papéis, inclusive no de Gonzaga) e apenas uma mulher, Laila Garin.

 

Na história, João se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro grande amor) e Odaléa (a mãe de Gonzaguinha, de quem Gonzagão assumiu a paternidade, embora fosse estéril, e deu para um casal criar) como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos.

 

Também há espaço, naturalmente, para se falar da originalidade de Gonzaga, um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais. “Ele não só levou o baião para o Brasil inteiro, mas trouxe as linguagens do Nordeste para a sua obra”, ressalta João.

 

Dentre as mais de 50 canções que estão na peça, há sucessos como “Cintura fina”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa branca”. De acordo com a linha não dogmática de todo o espetáculo, o diretor musical Alexandre Elias não ficou preso à estrutura básica do forró, que é sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto de quatro instrumentistas que atua no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista (Rick De La Torre), um violoncelista (Hudson Lima) e um rabequeiro e violeiro (Beto Lemos), que chega a tocar viola de 10 cordas como se estivesse tocando guitarra.

 

Lista geral – músicas

“Oia eu aqui de novo”

“A volta da asa branca”

“Suplica Cearense”

“Vira e Mexe” + “Xamego”

“Asa Branca”

“Quem nem jiló”

“Assum preto”

“Respeita Januário”

“Pau de arara”

“Xote das Meninas”

“ABC do sertão”

“17 e 700”

“Vozes da seca”

“A feira de Caruaru”

“A morte do Vaqueiro”

“A triste partida”

“Samarica Parteira”

“Paraíba”

“PARAIBA” em Japonês – Ikuta

“Janio quadro”

“Sanfoninha Choradeir”

“Foro numero 1”

“Pouca diferença”

“Vida do Viajante”

“Baião”

“Cintura fina”

“Olha pro ceu”

“Vem Morena”

“Apologia ao jumento”

“Danado de bom”

“Pagode Russo”

“Nem se despediu de mim”

“Juazeiro”

“Boiadeiro”

“No Ceara não tem disso não”

“Dança da moda”

“Cacimba nova”

“Imbalaça”

“Riacho do navio”

“Sabiá”

“O ultimo pau de arara”

“Meu pé de serra”

“Sanfona dourada”

“Adeus Pernambuco”

“Romance matuto”

“Toca pai”

“O lampião falou”

“Toque de rancho”

“Pra que mais mulher”

“Mulher de hoje”

“Ana Rosa”

Ficha técnica

Texto e direção: João Falcão

Elenco: Apresentando – Marcelo Mimoso Atriz Convidada – Laila Garin e

Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Paulo de Melo, Renato Luciano e Ricca de Barros Músicos: Beto Lemos – Viola e Rabeca Hudson Lima – Cello Rick De La Torre – Percussão Rafael Meninão / Marcelo Guerini – Acordeon

Direção musical: Alexandre Elias

Direção de movimento: Duda Maia

Direção de produção e Idealização: Andréa Alves

Cenografia e adereços: Sergio Marimba

Figurinos: Kika Lopes

Iluminação: Renato Machado

Preparação vocal: Carol Futuro

Produção executiva: Regiane Sobral e Thalita Mendes

Produção e Realização: Sarau Agência de Cultura Brasileira

Serviço

Peça “Gonzagão – A lenda”

Sesc Nova Iguaçu: Rua Dom Adriano Hipólito, 10. Tel.: 2797-3001

17/5, 20h

18/5, 18h e 20h30

Ingressos: R$ 3 (associados Sesc Rio), R$ 6 (estudantes, maiores de 60 anos e jovens de até 21 anos), R$ 12

Duração: 120 minutos

Classificação: 12 anos

Capacidade: 384 lugares

 

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